quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Perguntas e respostas retiradas da Introdução do Compêndio da Doutrina Social da Igreja (os trechos entre aspas são transcrições diretas de alguns trechos)


Qual o fundamento da Doutrina Social da Igreja?

A Fé em uma salvação integral, “que abrange o homem todo, e todos os homens”, através da filiação divina, conquistada por Jesus Cristo, Nosso Senhor, que se realiza na “vida nova que espera os justos após a morte” e também nas realidades temporais em que vivemos, visto que é nestas realidades que o cristão deve viver o novo mandamento do amor (Jo 15, 12), deixado por Cristo. Ela é, então, expressão do amor GRATUITO de Deus pelo mundo.


Para que serve a Doutrina Social?

Para “oferecer um contributo de verdade à questão do lugar do homem na natureza e na sociedade” e contribuir na resposta às perguntas fundamentais “que caracterizam o percurso do viver humano (GS, 10)[1]: Quem sou eu? Por que a presença da dor, do mal, da morte, mesmo com todo o progresso? O que haverá após esta vida?”

“(...) a religiosidade representa a expressão mais elevada da pessoa humana, porque é o ápice da sua natureza racional”, fruto de uma “profunda aspiração à verdade.”


A Doutrina Social só interessa aos católicos?

Não. Sua Doutrina Social “diz respeito ao homem todo e se volve a TODOS OS HOMENS”, é dirigida “aos homens e às mulheres do nosso tempo”, impulsionando “a todos”, aos “homens e mulheres de BOA VONTADE” para que EM CONJUNTO assumam suas responsabilidades, para que todo o progresso humano “seja voltado ao verdadeiro bem da HUMANIDADE de hoje e de amanhã.” Devemos unir forças para favorecer “a justiça, a fraternidade, a paz e o crescimento da pessoa humana”, já que estes são desejos humanos universais.


Ela é um conjunto de regras extáticas?

Não. Ela fornece “os princípios de reflexão, os critérios de julgamento, e as diretrizes de ação” para a promoção do humanismo integral e solidário que se propõe a construir. Pretende ser luz, para capacitar-nos a “interpretar a realidade de hoje”, e procurar “os caminhos APROPRIADOS para a ação (...) à luz das palavras imutáveis do Evangelho.”

“O ensino e a difusão da doutrina social fazem parte da missão evangelizadora da Igreja.”[2]

Devemos recordar que a Igreja é conduzida por Cristo, o “Grande pastor”(Hb 13, 20), portanto deposita toda sua fé e esperança n´Ele, “ÚNICO Salvador e fim da história.” Ainda, “nenhuma ambição terrena move a Igreja; ela tem em vista UM SÓ FIM: continuar, sob o impulso do Espírito Santo, a obra do próprio Cristo que veio ao mundo para dar testemunho da verdade, para salvar e não para condenar, para servir e não para ser servido (GS, 3)[3].”


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1 Cf. Concílio Vaticano II, Const. past. Gaudium et spes, 10: AAS 58 (1966) 1032.
2 João Paulo II, Carta encicl. Sollicitudo rei socialis, 41: AAS 80 (1988) 571-572.
3 Concílio Vaticano II, Const. past. Gaudium et spes, 3: AAS 58 (1966) 1027.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Reunião ocorrida em 19/10/2007

Nesta data finalizamos o estudo do livro Paraiso Terrestre, de Carlos Mesters. Elaboramos a conclusão que será apresentada na postagem sobre o livro.
Quanto ao início da leitura e estudo do Compêndio da Doutrina Social da Igreja, cada integrante do grupo deverá ler a introdução e o capítulo I até a próxima reunião.
Com o intuito de iniciar uma cartilha sobre o assunto, iremos trabalhar na base de perguntas e respostas. Cada integrante durante a leitura deverá elaborar perguntas, juntamente com as respectivas respostas, anexando-as ao blog. Sendo estas analisadas na próxima reunião.

Próxima reunião: 09/11/2007

sábado, 15 de setembro de 2007

Reunião ocorrida em 14/09/2007

Com referência ao Plebiscito da Vale do Rio Doce, foram apresentado os dados parciais da apuração. Esses dados foram obtidos através das listas assinadas, que foram disponibilizadas na igreja N.S.Aparecida, Santos/SP.

A fim de organizar os assuntos abordados, resolvemos criar novo blog, onde serão tratados os assuntos relacionados a proposta do grupo, deixando este apenas para tratar do estudo da Fé e Doutrina Social.
Este novo blog, apresentado na caixa de referência, foi nomeado Discussão Social (http://discussaosocial.blogspot.com).
Trouxemos para esta reunião matéria publicada no jornal Estado de São Paulo, datada de 14/09/2007, que menciona a censura efetuada pela Congregação da Doutrina Social ao livro publicado pelo Pe. Peter Phan.
Este assunto foi postado no blog Discussão Social, mas não será comentado até que tenhamos informações para tal.

A próxima reunião foi marcada para o dia 28/09, quando deverá ser finalizado os estudo do livro Paraiso Terrestre.

Com o término do livro passaremos ao estudo do Compêndio Social da Igreja. Devido a extensão do assunto resolvemos que iremos, conforme o caso, interromper a sua leitura e inserir em seu lugar o estudo de encíclica pertinente.
Deveremos também em cada reunião apresentar assuntos atuais para serem discutidos.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Integrantes do Grupo

Os integrantes são membros atuantes na paróquia Nossa Senhora Aparecida - Santos/SP, sendo que alguns são alunos do Curso de Teologia Beato Anchieta - Santos/SP

Valdir, Rose, Basiliano, Maria Aparecida, Maria Brasilina e Danilo

Projeto grupo de estudos: Fé e Doutrina Social

Animados pela palavra dos Bispos da América Latina e Caribe que, reunidos em Aparecida, afirmam em sua mensagem final a importância da formação para a construção da Igreja e desejam que nossa Igreja seja "Uma Igreja formadora de discípulos e discípulas”. E acrescentam a importância da participação de todo o batizado nesta vocação da Igreja: “Todos na Igreja estamos chamados a ser discípulos e missionários. É necessário formar-nos e formar todo o Povo de Deus para cumprir com responsabilidade e audácia esta tarefa”. (Mensagem da V Conferência).

O mesmo documento também destaca a importância da Doutrina Social para a vida da Igreja contemporânea, e incentiva seu estudo e aprofundamento como um dos principais meios de construirmos comunidades transformadoras, missionárias e atentas à qualidade da vida humana em todos os seus aspectos, a fim de que a mensagem do Evangelho transborde para além dos limites das paredes da Igreja, e faça parte da vida e na vida de cada um:

"O chamado a ser discípulos-missionários exige de nós uma decisão clara por Jesus e seu Evangelho, coerência entre a fé e a vida, encarnação dos valores do Reino, inserção na comunidade, e ser sinal de contradição e novidade em um mundo que promove o consumismo e desfigura os valores que dignificam o ser humano. Em um mundo que se fecha ao Deus do amor, somos uma comunidade de amor, não do mundo, mas no mundo e para o mundo (cf. Jo 15, 19; 17, 14-16)!" (Mensagem da V Conferência).

Se a perseverança nos acompanhar, e ainda pudermos ampliar nossas atividades, gostaríamos que este trabalho viesse um dia estar a serviço da construção do Reino em sintonia com os melhores desejos de servir e participar da história e da vida de nossa comunidade, e também nisso nos ilumina a mensagem final dos Bispos em Aparecida

“Com firmeza e decisão continuaremos exercendo a nossa tarefa profética discernindo onde está o caminho da verdade e da vida. Levantando a nossa voz nos espaços sociais dos nossos povos e cidades, especialmente a favor dos excluídos da sociedade. Queremos estimular a formação de políticos e legisladores cristãos para que contribuam na construção de uma sociedade justa e fraterna, de acordo com os princípios da Doutrina Social da Igreja” (Mensagem da V Conferência).

Conscientes, porém, do tamanho e da abrangência das propostas colocadas pelos bispos em Aparecida, queremos iniciar o nosso trabalho com simplicidade e dar-lhe o alcance possível. Pensamos formar, inicialmente um grupo de estudos, para aprimorar nossos conhecimentos e que aos poucos possa assumir compromissos de ajudar na formação de outras pessoas, tendo como subsídio e meta o conhecimento da Doutrina Social da Igreja. A princípio nossos trabalhos seguiriam o seguinte projeto:

Objetivo Principal
Estudar e discutir a Doutrina Social da Igreja e as Encíclicas Sociais, visando o conhecimento dos documentos com o intuito de nos formar e dar formação colaborando com a comunidade para o entendimento de todos nos seus direitos e deveres enquanto cidadão. Para tanto, temos como material inicial de trabalho as Encíclicas Sociais e o Compêndio da Doutrina Social da Igreja. Todo este material está disponível no Blog DSI - Doutrina Social da Igreja (http://dsi21.blogspot.com/).

Objetivo Inicial
Estudar e discutir a Doutrina Social da Igreja e as Encíclicas Sociais, visando o conhecimento dos documentos e a formação de agentes facilitadores para a formação de novos grupos. Podemos ainda, de alguma forma, ajudar no preparo de um material didático, no formato de cartilha ou PowerPoint, que poderia ser usado no segundo momento das atividades, quando "Círculos de Estudo da Doutrina Social" venham a ser formados e motivados.
A quem se destina
Inicialmente pretendemos formar um grupo pequeno, que de alguma forma já se conhece e trabalha junto, para atuarem como agentes facilitadores. No futuro, com a abertura para a comunidade e a produção de um material didático, estes agentes atuarão como mediadores e facilitadores em grupos de discussão.
Este grupo inicial será composto de alunos do 1º e 2º ano do Curso de Teologia Beato Anchieta e que são membros atuantes na paróquia Aparecida. Além do acompanhamento do Pároco, Pe. Carlos, com o qual gostaríamos de contar, já conversamos e contamos com o apoio do professor de Doutrina Social do Instituto Beato de Anchieta, Francisco Surian.

Local
Dependências da Paróquia Aparecida – Santos

Quando
Quinzenalmente, as 6ª. Feiras.

Horário
Das 20 às 22 horas (Pensamos esta data e horário uma vez que os seminários do Instituto Beato Anchieta eram feitos na quinta-feira. O novo programa não tem mais seminários as quintas, deixando vago este tempo).

Roteiro de encontros
Oração inicial
Troca de informações sobre experiência de cada um na quinzena
Discussão do tema proposto para leitura em encontro anterior
Objetivo próximo encontro
Oração final

Este roteiro pode mudar, conforme as necessidades e atividades do grupo em cada reunião. Na preparação de material didático, para os “Círculos de Doutrina Social” contamos ainda com a possibilidade de troca de material e e-mails pela Internet. Há também a possibilidade de se fazer de vez em quando um encontro com maior tempo de duração, para o fechamento ou conclusão de algum material da cartilha.

Esta proposta de projeto está aberta para mudanças conforme as possibilidades e necessidades, tendo-se em vista a maior integração possível com a comunidade e o plano pastoral da Paróquia Aparecida. Para tanto, o grupo coloca-se a disposição para uma reunião inicial com o pároco, Padre Carlos, no sentido de organizar o melhor possível as atividades.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Leitura do livro Paraiso Terrestre

Introdução

Carlos Mesters informa que o livro nasceu de estudo prático e de contato com a vida, também afirma que esta é sua opinião, não estando a questão encerrada. Tanto que existem mais de 200 interpretações sobre a serpente mencionada em Gênesis.

As dificuldades em torno do paraíso e do pecado de Adão

Esta primeira parte do livro Paraiso Terreste, de Carlos Mesters, nos relaciona as diversas dúvidas sobre a existência ou não do paraíso. Assim como nos apresenta a dificuldades que temos em aceitar, ou mesmo negar, a sua existência. Não esquecendo a interpretação científica ao tentar negá-la ou comprová-la.
O fato da Bíblia ser um livro sagrado, escrito sob a inspiração divina, em nada facilita a credibilidade do assunto. Mesmo sob esta inspiração, sabemos que Deus não costuma revelar detalhes de sua ação, seja ela em relação ao futuro ou mesmo ao passado, o que reforça a dúvida de qual foi a fonte que os autores fizeram uso para descrever o paraíso. Tendo este relato sido escrito por volta do século X a.c., ou seja milhões de anos após a sua criação, como poderiam os autores possuir tão riqueza de detalhes sobre o fato? A Tradição Oral não conseguiria, de maneira ininterrupta, percorrer o espaço de milhões de anos transferindo seus conhecimentos de gerações para gerações. Com o conhecimento que possuímos hoje sobre a origem da escrita, sabemos que não foi através dela. Mesmo que sua base esteja na interpretação de gravuras e desenhos, teria eles a riqueza de detalhes que possibilitassem comprovar a existência do paraíso e de Adão e Eva?
Com o envolvimento da ciência, na tentativa de desvendar esse mistério, novas maneiras de enfrentar as dificuldades de entendimento se apresentaram. Entre elas podemos citar:

  • alguns para não negarem a fé travam uma batalha perdida contra a ciência, contra o bom-senso e contra todas as tentativas de procuram apresentar a verdade revelado sob uma outra forma;
  • outros preferem ficar com a ciência, atribuindo a narração bíblica uma imagem infantil e superada;
  • um terceiro grupo admite a versão da ciência como a verdadeira, sem conseguir se desprender da interpretação tradicional, que foi passada por gerações, gerando assim um enorme conflito interno.

A grande causa dessas dificuldades está no fato de se conseguir conciliar ciência e fé, antes de termos iniciado a sua leitura e interpretação de seu contexto e pretexto.

A interpretação da narração bíblica sobre o paraíso e o pecado de Adão

O objetivo da Bíblia não é o de informar sobre o que aconteceu, mas sobre o que estava acontecendo na vida das pessoas, na época em que os textos foram escritos. Por isso é bom ter em mente que, toda leitura bíblica deve ser efetuada sob a análise crítica do contexto, e a observância dos motivos que levaram o autor a escrever.
Ao descrever o paraíso o autor não tinha a intenção de apresentar uma época passada, ou mesmo explicar o aparecimento do homem sobre a terra. Ele pretendia que os homens refletissem sobre o modo de vida da época. E que através desta reflexão seguissem os preceitos de Deus.
Devemos ter consciência que o autor do Gênesis faz uso dos nomes Adão e Eva para, de uma maneira singular, representar os homens e as mulheres, respectivamente. Sendo assim é errado pensar que na época haviam apenas duas pessoas em toda a extensão terrestre. Pensamentos com este que levam a uma série de dúvidas sobre a origem dos filhos de Caim.
A própria existência da serpente é representativa. Estudos revelam que alguns povos, entre eles os cananeus, tinham como base de sua cultura religiosa a adoração de deuses sob as mais diversas representações. Sob o aspecto social orgias e prostituição também faziam parte de sua cultura. Segundo a sua cultura essas orgias eram consideradas com uma maneira de purificação para agradar seus deuses.
Acredita-se que estes mesmos povos tinham por hábito tentar inserir, de maneira ativa ou passiva, sua cultura em outros povos. E por terem a serpente com animal símbolo de sua cultura, estes povos foram apresentados sob a figura da serpente que tenta e apresenta o mal a Adão e Eva, mas não podemos esquecer que o homem possuía e ainda possui o livre arbítrio.
Querendo levar os leitores a uma tomada de posição mais crítica e mais realista frente à realidade que os envolvia foi apresentado um ângulo de visão e objetivo, que Carlos Mesters resumiu em:

  • A denúncia do mal;
  • Apresentação da raiz do problema;
  • Incentiva a tomada de consciência da origem do mal;
  • A conscientização da culpa que possuem;
  • A transformação do mal-estar;
  • A garantia praticável e executável da transformação;
  • Realça a esperança, a coragem e a capacidade de resistir.

A grande causa dessas dificuldades está no fato de se conseguir conciliar ciência e fé, antes de termos iniciado a sua leitura e interpretação de seu contexto e pretexto.

Respostas as dificuldades sobre o paraiso e o pecado de Adão.

Durante o capitulo anterior o autor nos explicou sobre o verdadeiro motivo que levou o autor a escrever sobre Adão e Eva.

Algumas das diversas dúvidas que possuíamos antes de iniciarmos este estudo foram substituídas por outras no decorrer deste, sendo que o próprio autor, através de sua experiência, tenta saná-las.

Uma das principais é sobre o homem se criado do barro e a mulher da costela do homem. A intenção do autor é demonstrar a fragilidade do homem e que ele não é dono de seu destino. Quanto ao fato da mulher ser gerada da costela do homem é uma adaptação de um ditado popular, que demonstra a união do homem e da mulher através do matrimônio.
Muitas outras perguntas poderão ser respondidas através da leitura e interpretação deste livro.

Conclusão

Carlos Mesters esclarece que esta não é uma visão definitiva, sendo este um assunto ainda muito discutido. Sua intenção é esclarecer que a história de Adão e Eva é um objeto de reflexão sobre o que é o mal, sua origem e a nossa culpa sobre o mal existente por ignorar os problemas.
Quando o homem passar a questionar o assunto, o mal e a sua participação na manutenção deste mal o livro terá atingido seu objetivo.

Este estudo foi muito proveitoso, nos permitindo perceber o quanto estamos habituados a ver o mundo com os mesmos “óculos”. Abrindo o nosso ângulo de visão, a ponto de enxergamos defeitos que possuímos sem que tomemos consciência deles.

De início nos perguntamos no que Adão e Eva poderiam contribuir no estudo da Doutrina Social da Igreja, mas no decorrer da leitura do livro percebemos que tem muito a ver. Percebemos que a origem dos problemas está em nós, seres humanos, seja por gerarmos os problemas, seja por ignorá-los. Deixando que estes gerem sofrimentos e angustia para a sociedade que nos cerca.

"Para quem muda os óculos o velho torna-se novo"

domingo, 2 de setembro de 2007

Pontos a serem abordados

Diversos pontos foram relacionados para serem abordados, abaixo alguns são citados:
  • Justificativa da importância da DSI;
  • Justificativas históricas e bíblicas;
  • Bases teológicas e filosóficas;
  • Análise das exigências e preocupações na América Latina;

Leitura para estudo:

Paraiso Terrestre - Saudade ou Esperança Carlos Mesters - Vozes